Redes Social

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Revendo a Jornada 2

Já vai longe a segunda jornada do campeonato da impunidade mas, quanto mais não seja porque desejo efectuar a lista de prémios de todas as jornadas (seria interessante realizar uma gala do blog para entregar as estatuetas aos vencedores, e se todos estiverem de acordo trato já de contactar o JJ, porque seguramente o mestre vai levar uma para casa...), achei por bem actualizar os bitaites para a posterioridade.

Nesta jornada a normalidade imperou. Ou seja, os controladores Porto e Benfica, além de ganharem, ainda ganharam com saco cheio, daí ter sido uma semana sem reclamações nem choraminguices sobre árbitros, pelo menos agradece-se o sossego...



A jornada iniciou-se com um empate entre Académica e Olhanense, num jogo onde se esperava a continuação da magnífica segunda parte que os "estudantes" tinham realizado no municipal de Aveiro, quando com somente 10 jogadores e a perder por 3-0 conseguiram alcançar o empate! Pelo contrário, a equipa algarvia conseguiu somar mais um ponto e manter-se como uma das sensações iniciais da prova, pese todos os problemas que a envolviam, resolvidos entretanto com os famosos empréstimos dos "grandes". Este tipo de concorrência desleal não deveria ser permitido, afinal de contas a luta pela permanência deveria ser feita com as mesmas armas, mas os "grandes" não têm meia dúzia de jogadores a emprestar a cada clube (bem, alguns até têm...) e como tal alguns saem beneficiados, faltando saber quais os critérios, se bem que o melhor é capaz de ser nem saber, já basta ser o campeonato da impunidade, não será preciso acrescentar igualmente da porcalhice!

A jornada continuou com as vitórias caseiras de Porto e Braga sobre V. Guimarães e Beira-Mar, respectivamente. Em ambos os casos vitórias categóricas, com destaque para o facto de Peseiro ter optado por fazer descansar grande parte da equipa uma vez que se encontrava a meio da eliminatória com a Udinese, que acabaria por valer o apuramento para a Champions League. Duas situações ajudaram por certo a este resultado: primeiro a exibição categórica de Rúben Micael, que volta a encher o campo como nos tempos em que actuava no Nacional da Madeira. Perdeu tempo nas passagens pelos bancos de suplentes de Porto e Saragoça mas ainda vai a tempo de demonstrar todo o seu talento, se desta vez optar por ser sério e não andar a pavonear-se como nos tempos portistas. Com algum peso, na minha opinião, o facto da equipa aveirense ter seguramente ainda resquícios do trauma da jornada anterior, nenhuma equipa cede uma vantagem de três golos com um homem a mais em campo e reage automaticamente cinco dias depois! Ainda para mais perante um adversário altamente motivado e com jogadores de qualidade indiscutivelmente superior. Teria dúvidas que o Beira-Mar não perdesse em Moreira de Cónegos, não tive a mínima dúvida que acabaria por perder em Braga, pese o facilitismo de Peseiro (típico nele, voltaremos a assistir ao mesmo seguramente, é a sua trademark) com a apresentação de uma equipa alternativa...

No dia seguinte jogou-se o grosso da jornada, com um jogo em particular a merecer o meu interesse, afinal estava perante uma excelente surpresa e uma triste desilusão. Refiro-me naturalmente à vitória do Moreirense contra o Nacional, confirmando um inicio de sonho dos cónegos e, por outro lado, um inicio completamente falhado dos madeirenses, que tanto haviam prometido na pré-temporada! 

Seguiram-se dois empates, entre Estoril e Paços de Ferreira, assim como entre Marítimo e Gil Vicente, sendo que os maritimistas estavam mais com a cabeça no apuramento inédito para a fase de grupos da Liga Europa (facto bem aproveitado pelos gilistas, adeptos do zero a zero).

O domingo acabou com um clássico do futebol português, com a recepção do Vitória de Setúbal ao Benfica. O clube das meretrizes remediadas, também conhecido por Vitória de Setúbal entre os leigos, manteve a tradição sempre que recebe os clubes da corrupção e do compadrio, aka lampiões e andrades. Contra o Benfica é preciso recuar a 1999 para encontrar um jogo onde o Setúbal não perca para os lampiões jogando no seu estádio, para o Porto então é melhor nem falar, desde que a múmia virou presidente aquilo tem sido um porto de abrigo, ir a Setúbal deve ser o equivalente a ir ao paraíso. Coincidência, ou talvez não, o Sporting vê-se sempre à rasca na terra dos comunistas, porque será, não pagam o tributo? Realmente já estou como alguns portistas cegos que param por aqui, podem ir para a segunda, o Sporting seguramente não ficava a perder, os outros, que se queixam de barriga cheia, eram capazes de estranhar a ausência de 6 pontos contados campeonato sim, campeonato sim!

Quanto ao jogo em si? Acabou com a expulsão ridícula (embora justíssima, ao ver o lance só me lembrei do Miguelito no inicio do campeonato 2009/10, forçando um penalty escandaloso de forma a permitir o empate do Benfica frente ao seu Maritimo... engraçado como os jogadores emprestados do Sporting se esfarrapam todos para se exibirem bem frente aos seus patrões, mas os emprestados dos outros facilitam e voltam a facilitar, e alguns até já nem emprestados são, é mesmo apenas clubite cega...) de um caceteiro made in Luz e com o primeiro golo do Benfica. A partir daí foi um passeio, que nem merece mais comentários. 

A jornada acabou em Alvalade, com a vitória do Rio Ave sobre o Sporting, um resultado surpreendente somente para quem não viu o jogo, pese o facto dos vila condenses se terem limitado a defender 90% do tempo, sem problemas em forçar o anti jogo (algo que os adeptos só criticam quando lhes toca ao seu clube do coração...) a verdade é que o Sporting foi sempre incapaz de furar a muralha defensiva, jogando de forma previsível e lenta, muito lenta. Os restantes comentários a este jogo seguem-se nos prémios apresentados a seguir.


Prémio craque da semana


Se na primeira jornada entreguei o prémio ao Melgarejo (pela negativa), nesta jornada o prémio vai mesmo para um craque, para Lucho Gonzalez. O argentino jogou e fez jogar os companheiros na goleada ao V. Guimarães, demonstrando (se tal fosse necessário) que não regressou ao futebol português em regime de meia pensão, como antigos compatriotas seus, precisamente para o mesmo clube, quem não se recorda dos reformados dourados Pizzi e Esnaider? Lucho é de uma estirpe diferente, sabe o estatuto que tem, quer dentro do balneário quer entre os adeptos, e não esbanja essa posição com atitudes pouco profissionais, um jogador a caminho do final de carreira e que, por via desse facto, capaz de em determinados momentos não apresentar a fluência de jogo desejada, mas fiel ao seu estilo de jogo, sem pontapé para a frente, sempre com objectividade e profundidade. E a capacidade que possui de surgir junto da área para concluir aquilo que os avançados não conseguem provam não só a sua utilidade atacante como mostram a quem não quer ver o que é realmente um médio fora de serie, com ele não há passes e mais passes lateralizados sem qualquer consequência, apenas para manter os dados estatísticos de posse de bola elevados, como se isso interessasse alguma coisa...

Parabens a este veterano argentino, segue na senda de outros veteranos que passaram por Portugal para terminar as respectivas carreiras, mas sempre com elevado grau de profissionalismo. Estou a reocordar-me de Peter Schmeichel e Michel Preud'Homme, por exemplo, dois gigantes mundiais que não passaram apenas por Portugal para apanhar sol. Lucho também não e quem gosta de futebol agradece!


Prémio idiota da semana

A culpa pode até nem ser dele, não sei verdadeiramente qual a função que lhe foi destinada para executar durante o jogo contra o Rio Ave, mas pelo que (não) fez e pelo que supostamente deve fazer, o prémio tem mesmo de ser entregue esta semana a Elias, jogador centro-campista do Sporting.

Elias é o jogador mais caro da história do clube de Alvalade, tendo sido adquirido por um total de 8,5 milhões de euros. Vinha rotulado de internacional brasileiro (estatuto que confirmou durante alguns meses já de camisola verde e branca ao peito) e de peça preponderante para o funcionamento do meio campo leonino. Chegou, viu e venceu, convencendo Domingos Paciência e durante alguns (poucos) meses foi o maestro que a equipa necessitava. Mas depois com a entrada de Ricardo Sá Pinto a preponderância de Elias desceu a olhos vistos. Não foi provavelmente um acaso as melhores exibições leoninas da era Sá Pinto terem sido na Liga Europa, precisamente uma competição onde Elias não podia alinhar. Não quero com isto considerar o jovem brasileiro como um erro e uma nulidade futebolística, mas actualmente não consigo perceber a mais valia que representa ter Elias no onze titular da equipa, até porque se trata de um jogador cuja posição especifica em campo está ainda por determinar. Por comparação com outra equipa que alinha em 4x3x3 (Porto), temos Fernando, Merdas e Lucho no meio campo. Em qual destas posições se encaixa melhor Elias? Trinco? Muito macio, embora conheça a posição, parece funcionar melhor com muleta ao lado. Na posição box to box? Era com esse rótulo que chegou a Alvalade, de um clássico nº8, que tanto defende como ataca, mas o que se tem visto é que quando se trata de atacar encontra-se recuado no terreno, lento a lançar iniciativas ofensivas, e quando é necessário defender junto aos centrais foi ultrapassado pelos centro campistas adversários. Então, na posição de playmaker? Sim, talvez no Brasil onde o futebol se joga a três velocidades, devagar, parado e estacionado. Na Europa, com marcações cerradas e atitudes guerreiras na luta por cada posse de bola, o estilo pausado de Elias não deixa tempo nem espaço para desenvolver o seu jogo. E ele tem jogo, porque de tempo a tempo consegue soltar-se e revelar o seu potencial. Mas isso chega? Tem o Sporting no seu plantel um jogador caro, caríssimo para os seus padrões, que se exibe a espaços e quando tem espaço? Elias saiu do Atlético de Madrid por causa da lentidão de processos e os responsáveis pela sua aquisição supuseram que o brasuca mexeria o rabo mais depressa nos campos lusitanos. Não me parece, e se é verdade que o futebol idealizado por Sá Pinto é lento e previsível resta saber qual o cota parte que deve ser atribuída a Elias, é a ele que se deve exigir responsabilidades, um jogador com estatuto de internacional brasileiro e com a sua conta bancária não deve, não pode fugir das responsabilidades. Assume-te Elias!



Prémio Pensamento Cretino


O prémio desta jornada só poderia ter um destinatário: Ricardo Sá PintoE que disse Sá Pinto para receber a distinção? Nada mais do que o seguinte, quando questionado sobre a actuação do Sporting, após a derrota em casa frente ao Rio Ave:


"Quanto à qualidade de jogo, tivemos momentos de boa qualidade, positivos, e alguns negativos, há que admiti-lo. Mas não estamos fortes, estamos muito fortes e continuamos a acreditar. "


É sempre lamentável quando um treinador perde a noção da realidade, sobretudo quando se dirige à comunicação social externa ao clube. Uma coisa é falar para os seus adeptos e para o jornal ou televisão do clube, outra totalmente diferente é apresentar um discurso público totalmente a leste da realidade. Sá Pinto, nestes 7 meses de carreira como treinador, tem surpreendido pela postura tranquila, rigorosa e com um discurso adequado. É a pressão de ter de começar a apresentar resultados, agora que é o responsável pela equipa desde o inicio da temporada? Se calhar, até porque tarda em encontrar um onze base e não se compreende como aceita a entrada de um jogador (Viola) que está longe de ser a concorrência que Van Wolfswinkel necessitava, Ricardo Sá Pinto pode começar a dar sinais de intranquilidade e nervosismo, expressos em frases como a que merece destaque esta semana. 

O facto é que de equívoco em equívoco Sá Pinto conduziu a equipa para um labirinto de onde não conseguiu sair, e onde um inexperiente mas com a escola lusitana de treinador empata fodas Nuno Espírito Santo se sentiu totalmente à vontade. O Sporting tem alternado o mau com o sofrível nos jogos oficiais e isso deve-se sobretudo ao demérito próprio do que ao mérito do adversário. Como sportinguista este é um sinal que me preocupa, veremos se onde há fumo haverá igualmente fogo...

1 comentário:

Picareto disse...

Boa Pirata! boa dissertacao da jornada. concordo com o que disseste do Lucho. um exemplo!