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sábado, 5 de junho de 2010

Welcome Villas-Boas

André Villas-Boas foi esta sexta-feira apresentado como novo treinador do FC Porto para as próximas duas épocas. Na cerimónia, que se realizou na Sala VIP do Estádio do Dragão, o técnico revelou o «orgulho enorme» em regressar à casa onde iniciou a carreira, com 17 anos. Para além disso, André Villas-Boas sublinhou que há um «corpo comum de ideias» que o une ao clube e que é «mais valioso» do que qualquer outro tipo de acordo.

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Durante cerca de 20 minutos, André Villas-Boas respondeu a todas as perguntas dos jornalistas, num cenário com vista para o relvado do Dragão. Aqui ficam algumas das suas repostas:

«Este clube tem um compromisso com as vitórias. Prometer faz muito lembrar 2002, quando um predestinado entrou aqui e prometeu pela primeira vez. Neste clube vence-se desde 1893 e quero fazer parte disso. Prometer seria mais do mesmo, uma repetição.»
«Há um impacto exagerado de mediatismo. Referem-se muito à minha juventude e não às competências inerentes à minha escolha. O que foi mais importante na decisão foi escolher competências e um perfil, e sem dúvida que o presidente teve isso em conta. Mais importante do que debater uma série de situações que vos podem parecer importantes é evidenciar as minhas competências e o meu crescimento como técnico, num percurso que me parece estar à vista de todos.»
«Qualquer plantel do FC Porto dá garantias de sucesso absoluto, foi feito com critério e com rigor. As adaptações a fazer serão sempre baseadas nesse rigor de processos, numa prospecção agressiva e numa tomada de decisão final.»
«A escolha do FC Porto não é para satisfazer o capricho do rapaz, mas sim para um início novo, de um novo líder, com novas competências. Sei o que pretendem de mim e quero atingir o sucesso inerente à história deste clube. Chegar a um grande significa muito para um treinador. Há muitos que passam anos e anos sem ter uma oportunidade. A minha chega agora, porque se acreditou num corpo comum de ideias.»
«Se calhar, para muitos, o que faço cheira a imitação e a clone, mas refuto isso. Sou muito mais clone de Bobby Robson do que de José Mourinho. Tenho descendência inglesa, nariz grande e gosto de beber vinho. Trago uma nova forma de encarar o jogo. Sei perfeitamente o que se exige num clube de topo, o que é rendimento. Conheço o target que tenho de atingir e será essa a definição. Marcou-me o Robson, pelo empurrão inicial, marcou-me o José Mourinho, com quem partilhei muitas ideias e vivências. Marcou-me muita gente com quem trabalhei nesta casa, onde entrei aos 17 anos. A partir daí fui criando também as minhas ideias. O futebol está em constante evolução. Também eu me adaptei, procurei enquadrar-me com o futebol moderno.»
«Fala-se muito em modelo de jogo, em organização, quando nada se tem definido. Acho que tenho um modelo de jogo bem definido, se não tivesse era incompetente e incompetente é coisa que não sou. Sei o quero para a minha equipa, seja em treino, seja em jogo, e quero fazê-la funcionar dentro desse estilo, com equilíbrio e com uma imagem à Porto, que é o mais importante.»

Ao seu lado, o presidente Jorge Nuno Pinto da Costa fez uma breve intervenção sobre a escolha de André Villas-Boas: «Ouvi muita gente e todas as pessoas que ouvi, no momento da decisão final, apoiaram esta escolha. Portanto, não vejo qualquer preocupação. Quando se acredita num projecto novo é para ir para a frente, sem receios. Pelo que li nos jornais nos últimos dois dias, ele já teria 3000 anos, se somássemos as vezes em que disseram que ele tem 32 anos. Sou muito mais velho do que ele e não estou preocupado. Estou é com um bocado de inveja e se calhar é o que alguns têm».

sexta-feira, 4 de junho de 2010

Histórias dos Mundiais: 1. Década de 30

Antes de começar com esta pequena dedicatória a cada uma das 18 edições da maior competição de selecções nacionais de futebol convém referir algo que é desconhecido para alguns adeptos. A competição, entre 1930 e 1970 teve a designação de Jules Rimet Cup, adquirindo a partir do Mundial de 1974 a designação actual, Fifa World Cup. A primeira designação não foi mais que uma homenagem ao francês, presidente da Fifa entre 1921 e 1954 e grande impulsionador da criação de uma competição mundial entre selecções entre Países dos diferente Continentes, uma forma de unir as nações e os povos numa era de grande conflituosidade, afinal vivíamos o período entre as duas Grandes Guerras. A visão de Rimet estava certa, ainda hoje é possível verificar a união que promove o desporto, particularmente o futebol, entre nações em conflito, é inesquecível a imagem do Mundial'98, num jogo entre iranianos e norte-americanos.


1.1. Mundial Uruguai 1930


Em 28 de Maio de 1928, a FIFA decidiu criação de um próprio campeonato mundial, iniciando a partir de 1930. Na sequência das comemorações do centenário da independência do Uruguai, em 1928, aliada às conquistas olímpicas do futebol daquele país (JO de 1924 e 1928, valendo-lhes a alcunha que ainda persiste nos dias de hoje, “celeste olímpica”), decidiu-se que a sede da competição seria no país sul-americano.



Só treze selecções participaram da primeira Copa, sete da América do Sul (Uruguai, Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Paraguai e Peru), quatro da Europa (Bélgica, França, Jugoslávia e Roménia) e duas da América do Norte (México e EUA). Muitas selecções europeias desistiram da competição devido à longa e cansativa viagem pelo Oceano Atlântico.


A final foi entre o Uruguai e a Argentina, tendo os uruguaios vencido o jogo por 4 a 2, no Estádio Centenário, em Montevidéu, com um público estimado de 93 mil espectadores. O artilheiro deste torneio foi o argentino Guillermo Stábile.


Curiosidades da prova:

- O primeiro jogador a perder um penalty em Mundiais foi o chileno Carlos Vidal, que desperdiçou a cobrança aos 35 minutos do primeiro tempo no jogo entre Chile e França, no Mundial de 1930.

- Em entrevista a um jornal uruguaio após o Mundial, o presidente da FIFA, Jules Rimet, disse que o mundial seguinte seria realizado somente em 1938 e que o Uruguai seria campeão do mundo por oito anos.

- O capitão da selecção francesa, Villaplane, foi acusado de colaborar com a Alemanha nazi durante a Segunda Guerra Mundial e fuzilado em 1945.

- O ponta de lança argentino Manuel Ferreyra não pôde defender sua selecção no jogo contra o México porque tinha, na mesma hora, prova da faculdade. Para o seu lugar entrou Guillermo Stábile, que fez três golos, ganhou a posição e terminou como o primeiro melhor marcador de um Mundial! Ferreyra reconquistou um lugar entre os titulares, mas teve de ser deslocado para a ponta direita do ataque.

1.2. Mundial Itália 1934

O Mundial de 1934 foi o primeiro no qual os Países tiveram que disputar eliminatórias para poder participar. O número de nações participantes desta vez dobrou em relação à edição anterior, sendo que 70% das 32 nações eram do continente Europeu.

O Mundial de 1934 como o de 1938 teve interesses políticos em jogo: o regime fascista subjugava a Itália, e o ditador Benito Mussolini planeou transformar o evento numa espécie de propaganda pró-regime. A influência indiscutível de Mussolini impôs-se em diversos aspectos, como por exemplo a escolha predeterminada de árbitros "suspeitos" nas partidas da anfitriã Itália. O sueco Ivan Eklind, que apitou a semifinal e a final, ter-se-ia encontrado com Mussolini antes das partidas. Misteriosamente, decisões polémicas foram tomadas, sempre em favor da Itália (expulsões e golos anulados de adversário). Alguns árbitros influenciaram tanto nos resultados da Itália que foram expulsos pelos respectivos Países após o torneio, caso do suíço René Mercet e do belga Luis Baert.

Duas peculiaridades marcaram a Copa do Mundo de 1934: O defensor do título, Uruguai, recusou o convite para participar, num boicote aos europeus por terem ignorado a edição anterior, em 1930 (Apenas 4 selecções europeias participaram do torneio: Bélgica, França, Iugoslávia e Roménia), tornando-se assim o único defensor de título que não competiu no torneio seguinte. Além disso, a anfitriã Itália teve que passar pelas Eliminatórias, na única ocasião em que um país-sede precisou disputar Eliminatórias.


Curiosidades da prova:

- A Palestina disputou as Eliminatórias. Na época, Israel ainda não havia sido criado e a Palestina era uma nação de árabes e judeus. Porém, apenas os judeus integraram a selecção que foi desclassificada pelo Egito.

- Tal como o Brasil, a Argentina também foi para a Itália com uma selecção fraca. Os grandes clubes dos respectivos Países haviam optado pela profissionalização e criado uma liga não-reconhecida pela FIFA. Assim, ambos os Países foram representados por jogadores amadores.

- Neste Mundial ocorreu o primeiro jogo desempate da história da competição. Itália e Espanha empataram em 1-1 após prolongamento. Dois dias depois, as duas equipas vieram a campo desfalcados, principalmente a Espanha, que não pôde contar com o guardião e capitão Ricardo Zamora, que, de tanto apanhar no primeiro jogo, não teve como jogar o desempate. Resultado: 1-0 para os italianos, que foram às semifinais.

- Na disputa do 3º lugar entre Alemanha e Áustria, as selecções não haviam levado jogo de uniformes reserva (ambas equipes eram alvinegras). Os austríacos, então, usaram a camisa do Napoli.

- O italiano Luigi Bertolini era considerado um dos melhores cabeceadores do mundo. Jogou toda a prova com um lenço na cabeça, para evitar que as costuras da bola causassem lesões na testa. O suíço Leopold Kielholz precisou de apenas 2 jogos para marcar 3 golos, mas ficou na história por jogar sempre de óculos.

- O Uruguai, campeões em título, recusaram-se a defender o troféu. Tudo devido ao fascismo de Mussolini e como forma de represália por grande parte das equipas europeias ter boicotado o Mundial de 1930. Mas a verdade era outra, os campeões mundiais estavam velhos e cansados…

- Pela primeira vez uma selecção africana, Egipto, participou no Mundial. Abdel Fawzi foi o primeiro africano a marcar num Campeonato do Mundo, na derrota por 4-2 ante a Hungria.

- Inglaterra, pátria do futebol continuava fora dos Mundiais, preocupada apenas com o seu campeonato, cada vez mais profissional.


A história de Monti, um dos 5 oriundi, fundamentais no título italiano

Monti, natural de Buenos Aires, é o único a ter jogado em finais do Mundial por países diferentes: perdeu a da edição de estreia e foi campeão com os azzurri em 1934. Um dos melhores do seu tempo, Monti foi fulcral na caminhada da Argentina em 1930 até à final, mas esteve discreto no jogo decisivo, vencido pelo anfitrião Uruguai (4-2). Soube-se depois que sofreu ameaças de morte, contra si e a família, e que até terá pedido para não jogar. Os autores das ameaças terão sido uruguaios, mas surgiu também uma teoria da conspiração que defende que foram obra de espiões de Benito Mussolini, que achava que a derrota facilitaria o seu recrutamento para a selecção italiana, organizadora do Mundial seguinte. Monti saiu da Argentina para jogar na Juventus e rapidamente foi chamado para representar a Itália.


Foi um dos cinco oriundi, estrangeiros com raízes italianas, no Mundial 1934, juntamente com os compatriotas Guaita, Orsi e Demaría, que também representou a Argentina em 1930, mas não participou em nenhuma das finais, e o brasileiro Guarisi. Monti, Guaita e Orsi foram determinantes. A utilidade do primeiro viu-se na meia-final com a Áustria, ao anular Sindelar, um dos mais talentosos do mundo. No jogo seguinte, a Itália derrotou a Checoslováquia (2-1) e venceu o Mundial que Mussolini tinha que ganhar. "Se ganhasse no Uruguai, matavam-me e se perdesse em Itália fuzilavam-me", referiu, anos depois, Monti, um dos sete jogadores que representaram países distintos na prova. Os outros são Demaría, Puskas (Hungria 54 e Espanha 62), Santamaria (Uruguai 54 e Espanha 62), Altafini "Mazzola" (Brasil 58 e Itália 62) e Prosinecki e Jarni (Jugoslávia 90 e Croácia 98).


Final em dose dupla

Na tarde de 10 de Junho o Estádio do Partido Nacional Fascista apresentava-se cheio como um ovo, esperando uma natural vitória da Azzurra. Na tribuna de honra lá estava Mussolini, rodeado de inúmeros símbolos alusivos ao fascismo, saudado pelos seus compatriotas como se de um Deus se tratasse. Todos esperavam a vitória dos italianos. Mas, nem tudo foi tão fácil como seria de esperar. Os checos não se deixariam intimidar, eram também uma formação muito forte e temida, onde pontificava o grande guardião Planicka. Aliás, este foi talvez o Campeonato do Mundo que juntou num só torneio três dos melhores guarda-redes de todos os tempos, nomeadamente o italiano Combi, o espanhol Zamora e o checo Planicka. Três mitos da baliza.

A Itália entrou em campo a todo o gás, desfiando de imediato o seu venenoso ataque suportado por uma sólida defesa. Contudo, na “hora H” deparavam-se sempre com um autêntico muro de betão, o guarda-redes Planicka, que esteve soberbo nesta final. E aos 70 minutos o Estádio do Partido Nacional Fascista ficou em completo e gélido silêncio quando na sequência de um pontapé de canto Puc, de costas para a baliza, disparou com alguma violência à meia volta para o fundo das redes de Combi. Surpresa das surpresas, os checos estavam em vantagem.


O terror tomou conta da massa adepta Azzurra. Em luta contra o tempo os italianos tentarem então desesperadamente chegar ao tento da igualdade, aumentando o seu ritmo de incursões à baliza de Planicka. Os defesas checos Zenisek e Styroky limpavam a sua área de qualquer maneira, mal avistassem a bola perto da sua zona tratavam de a despachar de todos as maneiras e feitios sem grandes rodriguinhos.

O assalto dos azzurros ganhava com o passar dos minutos contornos mais intensos e sufocantes para os checos. Até que a cinco minutos do final o esperado golo italiano surgiu, quando já poucos acreditavam nele, por intermédio do ítalo-argentino Orsi. Tudo voltava assim ao princípio para alívio dos italianos e de... Mussolini.

No prolongamento os italianos foram mais fortes em termos físicos, e continuaram a tomar de assalto a baliza checa. O “milagre” surgiu por intermédio do avançado-centro Schiavio.

Após o apito final do sueco Eklind a multidão explodiu de emoção: A SQUADRA AZZURRA ERA CAMPEÃ DO MUNDO. Mussolini podia sorrir, a sua Itália vencera... o fascismo era “campeão do Mundo”. Ainda hoje os teóricos do futebol afirmam que este Mundial foi vencido pelo fascismo e não pelos jogadores italianos. É certo que a Itália fora escandalosamente beneficiada pelos árbitros nos duelos com a Espanha, nos ¼ de final, mas não podemos tirar mérito a super craques como Meazza, Orsi, Schiavio e Combi que sobe a batuta do maestro Pozzo encantaram o mundo com o seu futebol.

Ficou ainda uma lenda deste Mundial. Rezam as crónicas da altura que minutos antes de Itália e Checoslováquia entrarem em campo para disputar a final foi entregue no balneário italiano um bilhete assinado por Benito Mussolini onde se podia ler: “vitória ou morte”! Não se sabe porém se a ser verdade esta história a intimidação funcionou como um impulso para a Squadra Azzurra. Porém, Vittorio Pozzo no final do encontro era um homem visivelmente aliviado, tendo dito que “como é belo o futebol quando se ganha, e como teria sido terrível perder este jogo”.

Melhor marcador:

Schiavio (Itália) – 4 golos

Onze tipo do torneio:

Planicka (Checoslováquia)
Allemandi (Itália)
Monzeglio (itália)
Puc (Checoslováquia)
Sindelar (Áustria)
Monti (Itália)
Conen (Alemanha)
Nejedly (Checoslováquia)
Schiavio (Itália)
Meazza (Itália)
Orsi (Itália)

1.3. Mundial França 1938

O Mundo estava perigoso face à iminência do estoirar da II Grande Guerra Mundial. Mesmo assim Jules Rimet via um velho sonho seu tornar-se em realidade, ver o seu país, a França, organizar um Campeonato do Mundo de Futebol. Este, contudo, não foi ainda o campeonato ideal, uma vez que o número de desistências e recusas de participação foi muito elevado. Apenas na Europa foi necessário realizar fases de apuramento para a 3ª edição do Campeonato do Mundo da FIFA. Um campeonato que ficou órfão de algumas das melhores selecções mundiais da época, casos da Espanha (na altura o país estava a braços com uma Guerra Civil), a Áustria (impedida de participar à última da hora devido à invasão do exército nazi), a Inglaterra (que continuava a recusar participar em competições organizadas pela FIFA), a Argentina e o Uruguai (os primeiros por terem perdido a organização do torneio para a França e os segundos por acharem que com a atribuição do campeonato aos franceses a FIFA estava a quebrar o prometido principio de alternância entre continentes).

No capítulo meramente desportivo esta edição constituiu o primeiro grande êxito, tanto no que se refere a questões financeiras (seis milhões de francos de receita), como no desenvolvimento do próprio jogo. Neste último capítulo, e mesmo com a ausência de grandes equipas, o nível futebolístico foi muito elevado, tendo havido a ocasião para apreciar o virtuosismo de muitos jogadores. De frisar que nesta altura a França vivia uma crise financeira grave, mas mesmo assim foram construídos propositadamente para o torneio cinco novos estádios.

Brasil demasiado confiante…perdeu

Nas meias-finais assistiu-se a mais um grande jogo de futebol, um Itália – Brasil. Em Marselha, os brasileiros, cansados do duplo e desgastante duelo ante os checos resolveram poupar a sua principal estrela, Leónidas. Dizem uns que tal facto deveu-se ao avançado se encontrar lesionado, enquanto que outros opinam que Leónidas se estaria já a preparar para a… final. Uma ousadia que teve consequências drásticas, já que a Itália cedo chegou a uma vantagem de dois golos. No entanto, os brasileiros nunca desistiram e Romeu ainda reduziu, mas a força dos pupilos de Pozzo veio ao de cima nos momentos finais do encontro, garantindo desta forma a presença na final. O seleccionador brasileiro seria eternamente crucificado pela sua arrogância e excesso de confiança em ter poupado Leónidas. Na outra meia-final os húngaros cilindraram os suecos por 5-1.
Itália de novo Campeã do Mundo

O Estádio des Colombes, em Paris, engalanou-se no dia 19 de Junho para receber a final entre Itália e Hungria. Última equipa esta que pode dizer-se que jogava em casa, pois devido aos incidentes de Marselha, onde os italianos brindaram o público com a saudação fascista criando desde logo uma antipatia com os franceses, e pelo facto de a equipa de Pozzo ter eliminado a França nos quartos-de-final, a assistência da final torcia quase de forma unânime pela Hungria. Apesar de em campo estarem duas equipas com uma técnica muito apurada a maior força no aspecto táctico da Itália viria ao de cima, permitindo aos transalpinos vencer o jogo por 4-2 e assim sagrarem-se bicampeões do Mundo. Na campanha 100% vitoriosa da "squadra azzurra" destaque para dois jogadores, Sílvio Piola e Giuseppe Meazza. Após esta final seria preciso esperar12 anos para se voltar a organizar um Campeonato do Mundo, pois meses depois do França’38 a Alemanha invadiu a Checoslováquia e logo de seguida a Polónia. Começava desta forma a II Guerra Mundial.


A estrela do Mundial… Leónidas da Silva

Em 1938 o Mundo começou – finalmente – a conhecer os dotes futebolísticos do Brasil enquanto selecção. Depois de prestações péssimas nos dois primeiros Mundiais os canarinhos apresentaram em França um futebol de alta qualidade. Nessa equipa figuravam excelentes jogadores, casos de Brandão, Tim, Zezé ou Domingos da Guia. Mas houve um que deu um verdadeiro show de bola nos relvados franceses, de seu nome Léonidas da Silva, também conhecido como o "diamante negro". Surgiu em França como um desconhecido e de lá saiu como um verdadeiro ídolo. Foi o melhor marcador da competição, com oito golos apontados. Este avançado deslumbrou o planeta da bola com a sua técnica apurada e um invulgar dote de rematador. Era um verdadeiro malabarista com a bola nos pés. Ele foi o inventor do famoso pontapé de bicicleta.


Factos e curiosidades do França 38

- Já havia brilhado no Itália’34 e confirmou toda a sua mestria na arte de bem defender as balizas no França 38. Falamos do guarda-redes checo Frantisek Planicka. Jogador este que a par do espanhol Ricardo Zamora era tido pela crítica internacional como o melhor guardião do Mundo. No Brasil – Checoslováquia de 1938 o guarda-redes surpreendeu tudo e todos ao jogar quase todo o encontro com um braço partido fruto de uma entrada mais violenta de um brasileiro. Mesmo limitado fisicamente Planicka efectuou defesas fantásticas, contribuindo para o empate final a uma bola e consequentemente para um jogo de desempate.

- O jornalista Vittorio Pozzo se tornou o primeiro (e até hoje único) técnico a conquistar mais de uma Copa. E o fez em torneios consecutivos.

– A azzurra não era azurra. Por ordem de Mussolini, as tradicionais camisolas azuis foram trocadas por camisolas negras, da cor do fascismo.

- A guerra civil que tudo dizimava deixou nuestros hermanos em casa. A Argentina também não se deslocou a França, tudo porque perdeu para os gauleses a organização da prova.

- Cuba e a Indonésia, perdão, Índias Orientais Holandesas, era assim que se chamava então a actual Indonésia, marcaram presença no Mundial. Portugal ficou de fora, perdendo no jogo decisivo com a Roménia. Vendaval de golos falhados, até um penalty desperdiçado e Portugal em casa.



Onze tipo do Mundial:

Planicka (Checoslováquia), Domingos da Guia (Brasil), e Rava (Itália); Andreolo (Itália), Tim (Brasil), e Meazza (Itália); Sarosi (Hungria), Wetterstroem (Suécia), Piola (Itália), Leónidas (Brasil), e Colaussi (Itália).


Melhores marcadores: Leónidas (Brasil) 8 golos; Zsengeller (Hungria) 7; Piola (Itália) 5

terça-feira, 1 de junho de 2010

Consultório do Pirata - 7ª Sessão: O estado da bola

Está de regresso o consultório, a ASAE ainda interditou o espaço mas assim que comprei o mafu que o Autor recomenda já está tudo em ordem, a bicharada já foi toda extreminada.


Vamos então falar de futebol. Inevitavelmente o Mundial de África, provavelmente um erro e dos grandes, espero estar enganado, os próximos dias dirão, mas se tivesse dinheiro suficiente para ir ver o Mundial, era bem capaz de fazer um desvio de uns milhares de kms e ficar nas Caraíbas a ver pela tv. Sou pessimista por natureza, mas se até as putas sul africanas já se estão a queixar (e não consta que o chefinho ou o pc estejam por lá...) não é bom sinal. Seja como for o que todos desejamos é que seja uma competição pacífica, com algum bom futebol e com a nossa selecção a fazer a melhor figura possível, que não será a luta pelo título como pomposamente mencionou o Carlos após eliminar a potência mundial que é a Bósnia Herzegovina!


O Tribunal nunca dedicou uns posts recordando os mundiais já disputados, até porque nunca foi política deste blog fazer posts dedicados a esse tipo de assuntos, mas como o nível presencial e de discussão tem diminuído nos últimos tempos, é capaz de ser interessante.



Desde o Mundial de 1930, onde as selecções participantes foram-no... por convite, a 1938, com a vitória forçadíssima da Itália de Mussolini, passando pelo Mundial de 50, onde o Brasil hipotecou a hipótese do título mundial em casa, perdendo a final quando o empate... lhe dava o troféu! Outros tempos, nesse mundial ocorreu outra curiosidade interessante, como as notícias não circulavam à velocidade actual, quando a imprensa inglesa recebeu o resultado 0-1 da sua selecção com os EUA, de imediato assumiram que era um erro, que seria isso sim 10-1! Pelos vistos a então propalada superioridade britânica foi arrasada pelos amadores americanos, uma ferida que ainda hoje se encontra por sarar. Em 1954 outra grande surpresa, a fantástica Hungria, que tinha arrasado a Alemanha na fase de grupos com 7-2, na final esteve a ganhar por 2-0 nos primeiros minutos e acabaria por perder o mundial por 2-3! Uma das mais fantásticas selecções de todos os tempos hipotecou desta forma a glória. Tal como a Holanda em 1974, curiosamente novamente para a Alemanha, que assim ganhou 2 dos 3 trofeus em situações tremendamente adversas. E muitas outras histórias existem, para uns recordar e outros conhecer. A ver se tudo é lançado até dia 11, dia de inauguração da prova de 2010!


Regressando a Portugal, ao FCP mais precisamente. Não sei a razão da demora da apresentação de Vilas Boas como novo treinador do clube. O factor surpresa há muito morreu, espanta-me ver o silêncio da CMVM, parece que agora já não há interesse em saber qual o novo treinador de um clube cotado na bolsa... se o rídiculo matasse o Sócrates teria o problema do desemprego resolvido! Alias, modéstia à parte, como sempre, ou eu sou muito esperto ou então os outros são muito burros! Sereno e Vilas Boas no Porto era o caminho óbvio desde finais de 2009! Vilas Boas recusou treinar o Sporting, ora o tipo parece regular bem da tola, logo só o fez porque tinha o futuro bem garantido. Sereno, por outro lado, recusou renovar o contrato com o Guimarães, e foi passear a Espanha, como previsto por mim, antes de aterrar no Porto. Onde estavam as dúvidas? Para uns é a inteligência portista, para mim é a xico espertice habitual, e a piada no meio de tudo isto é que a xico espertice lampiã é uma fotocópia da azulada, ou ainda não repararam?

A leste de tudo isto mantem-se o Sporting. Que continua a nanar, não intervem na escolha da nova direcção da liga, nem dos famosos e importantes conselhos. Fica uma curiosidade que gostaria de ver respondida: porque razão um clube que acaba a época em 4º lugar e que apresenta mais um ano de prejuizos tem tanto interesse mediático da imprensa? Sobe a lista de contratações jornalísticas, a saber:

Pablo Mouche (Boca Juniores)
Moreira (Benfica)
Garics (Atalanta)
Barreto (Atalanta)
Daniel Veja (River Plate)
Joaquín Boghossian (Newell’s Old Boys)
Alan (Fluminense)
Muriqui (Atlético Mineiro)
Fabio (Cruzeiro)
Hugo Viana (Valência)

... são já 36 e ainda faltam 90 dias para fechar o mercado de transferências!

Isto sim é comentador imparcial

Realmente em Portugal ainda há muita isenção, por muito que o Querido Manhoso deseje fazer algo deste género, ainda lhe resta alguma (pouca) vergonha na cara, valha-nos isso... o mesmo já não se poderá dizer da Benfica Tv, mas lixo só vê mesmo quem quer.


domingo, 30 de maio de 2010

Parabéns ao andebol verde e branco!!

Como o tribunal do futebol não é igual a medra da comunicação social portuguesa, ficam aqui os meus parabéns a estes jogadores de uma modalidade amadora que por si só é sempre esquecida pela porcaria da imprensa que temos!!!

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Até sempre jesualdo

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«Depois de quatro anos vividos de forma intensa, entendendo as regras de jogo em que treinadores e clubes se movimentam e tendo em atenção o facto de o FC Porto ter tido, pela primeira vez na história, o mesmo treinador durante quatro anos, concluímos, em conjunto, que seria melhor terminar a nossa ligação. Desta forma, o clube pode ter a liberdade que lhe assiste de configurar o seu futebol com ideias diferentes. A minha saída do FC Porto pautou-se pelos mesmos princípios com que entrei no clube. Poderão parecer palavras de circunstância, mas quero deixar aos adeptos do FC Porto, em primeiro lugar, o meu sentido respeito pela forma apaixonada com que os senti ao longo destes quatro anos. Tiveram uma participação decisiva em tudo o que alcançámos. Quero também expressar a gratidão pela administração e, em especial, pelo presidente. Creio que essa gratidão se notou em todos os comportamentos que tive no FC Porto. Sem poder cumprimentar pessoalmente todas as pessoas que comigo colaboraram directa ou indirectamente, quero deixar a todos um forte abraço. Em relação a todos os departamentos como comigo trabalharam no dia-a-dia, as palavras que melhor retratam são: obrigado pela competência! Finalmente, os jogadores… Durante quatro anos, partilhámos grandes alegrias e alguns, poucos, momentos infelizes. Guardo de todos o sentimento do dever profissional e do espírito de equipa que dedicaram ao FC Porto. A todos eles e àqueles dos quais não tive oportunidade de me despedir quero dizer que vou ser um treinador e uma pessoa que irá seguir as suas carreiras. Desejo-lhes a maior sorte do Mundo. Pegando nas palavras do presidente na altura da despedida, também eu sinto poder dizer que estarei sempre disponível para o FC Porto.»

terça-feira, 25 de maio de 2010

Ontem foi mais ou menos assim…

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Imagem retirada daqui

Alimentar o Monstro


Venho já há alguns anos a defender a teoria de que o campeonato Português deveria ter um formato idêntico ao Escocês. A qualidade do futebol apresentado, bem como a massa de adeptos provenientes dos chamados "clubes pequenos" não lhes permite ter estrutura para se designarem como clubes de Primeira Liga. Como e já agora quem sustenta clubes como a União de Leiria, P. Ferreira e Naval que com assistências médias regulares de 800 espectadores conseguem manter-se com as contas saldadas e com os pagamentos aos seus funcionários regularizados?? Qual a responsabilidade das autarquias em alimentar este monstro?

A revolução do futebol Português passaria por um campeonato com 10 equipas, a 4 voltas (36 jogos) e com distribuição do patrocínio dos direitos televisivos de igual valor pelos 10 participantes (à semelhança do que acontece no futebol inglês).


Aqui fica a noticia que me despoletou curiosidade:

"Contas aprovadas em Assembleia-Geral só com um sócio

As contas da Naval 1.º de Maio referentes ao ano de 2009 e o orçamento para a nova época foram aprovadas, esta segunda-feira, em Assembleia-geral onde esteve presente apenas um sócio.

O presidente da Mesa assegurou que estavam cumpridos os estatutos, como tal as contas com prejuízo de 1,5 milhões de euros, assim como o orçamento de 2,8 milhões de euros, foram aprovadas.

Apenas seis associados votaram, os cinco membros dos corpos sociais do clube e o único sócio presente fora da Mesa"


In "O JOGO online" 25 de Maio 2010

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Sporting, versão 2010/11


Os pasquins da nossa praça têm andado muito entretidos a tentar adivinhar qual será a versão do plantel leonino da próxima temporada. Normalmente esta parvoíce começa e acaba nos meses de Verão, mas para os adeptos leoninos já começa a tresandar tanta contra-informação e truques baixos, cujos propósitos passam somente por desestabilizar a direcção e liderança de José Eduardo Bettencourt. A quem interessa um campeonato bipolar, entre vigaristas a sul e corruptos a norte? Quem adivinhar esta resposta encontrará o responsável pela colocação, até ao momento, pelas minhas contas, de 26 novos jogadores no plantel leonino, a saber:

Quaresma (Inter Milão)
Gustavo Lazaretti (V. Guimarães)
Desmarets (V. Guimarães)
Tiago (Atlético Madrid)
Duda (Málaga)
Zé Castro (D. Corunha)
Diego Souza (Palmeiras)
Lulinha (Estoril)
Fábio da Silva (Man. United)
Rodriguez (Braga)
Luis Aguiar (Braga)
Evaldo (Braga)
Alan (Braga)
Maniche (Colónia)
Cristian Ansaldi (Rubin Kazan)
Geromel (Colónia)
Vitor Gomes (Rio Ave)
Tomislav Barbaric (Ojisek)
Mario Mandzukic (Ojisek)
Domagoj Vida (Ojisek)
Gabriel Mercado (Racing Avellaneda)
Deco (Chelsea)
Jaime Valdes (Atalanta)
Juan Pablo Carrizo (Lazio)
Drenthe (Real Madrid)
Radoslav Petrovic (Partizan Belgrado)

... e tenho a certeza que apenas mencionei metade dos que já surgiram nas páginas dos jornais! Uma vergonha! Quantos destes serão realmente contratados? Quantos destes alguma vez foram contactados pelo Sporting?

E o mesmo já se tinha passado na escolha do substituto do Carvalhal. Nem um único orgão de informação adivinhou (sim, a palavra é adivinhar, eles são tão jornalistas quanto a nova namorada do PC é séria tal a Carolina também o era...) o nome de Paulo Sérgio, as apostas foram, como se recordam, entre outros:
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Andre Villas Boas
Domingos Paciencia
Manuel José
Manuel Cajuda
L.F. Scolari
Paul Le Guen
Sven Goran Eriksson
Co Adriaanse
Jorge Costa
Jean Tigana
Claude Puel
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O que me admira é ver depois calimeros azulados dizerem que são alvos de perseguições, nem a CMVM questiona quem é o novo treinador portista, o Bruto Alves faz birras para sair e nem capas de jornais sobre o assunto, realmente são muito perseguidos, coitadinhos...