Ponto prévio: num mau relvado, duas equipas praticaram um mau jogo de futebol com uma má arbitragem. O Porto não mereceu mais do que teve e o Benfica obteve mais do que esperava. Já o Lucilio despediu-se dos grandes jogos (penso eu que a falta de bom senso não se vai repetir, mas sou optimista por natureza) com a falta de categoria a que nos habituou, com a diferença de que desta vez cometeu erros sem ter influência no resultado final... do mal, o menos.
Quanto ao jogo começo por dar os parabéns ao JJ, com a equipa desfalcada do maestro Aimar e ainda por cima tendo de alinhar com o Mialgias e o Peixoto (uma dupla que provavelmente seriam suplentes em qualquer outra equipa da primeira liga) a titulares conseguiu anular o adversário que, sublinhe-se porque é importante, tinha ao seu dispor todos os jogadores e todos em bom momento de forma! O momento que ilustra o mérito de Jesus foi quando reagiu à entrada de Varela em acção, colocando o Weldon de forma a anular a ajuda de Fucile, tendo Luís Filipe sido mais uma unidade apenas e só para anular o jogo adversário (verdade seja dita que nem para isso ele serve, mas pronto) pela ala direita. Excelente leitura táctica, neste pormenor garantiu que a vitória não deixaria de lhe sorrir.
Já o Burroaldo foi igual a si próprio: burro! Qualquer treinador de bancada saberia que a equipa do Porto que deveria ter alinhado era a que demonstrou a melhor face nos duelos de Guimarães e Madrid. É de uma pobreza de espírito atroz falar em anormalidades de arbitragem quando o maior e escandaloso erro até o beneficiou! A mão do cebola é tão escandalosa que até eu, sentado a 300 km de distância vi à primeira! Mais um palpite em cheio do pirata, já se sabia que a arbitragem ia ser má porque o artista não sabe mais mas tinha sérias dúvidas se o beneficiado seria o que todos esperavam que fosse. O Porto perdeu devido à incompetência do seu treinador, devido ao péssimo relvado, devido à leitura táctica do JJ e só depois, muito depois, devido ao mérito dos jogadores do Benfica.
No entanto o jogo até começou com o Porto a tentar manter a postura arrogante que transmitiu ao longo da semana, vinha de uma boa fase e sabia que o adversário, para além de estar diminuído fisicamente, também começara a duvidar do seu real valor. Não tenho dúvidas que, se Falcao tem acertado na baliza, a crónica agora era totalmente ao contrário, este Benfica necessita ainda de convencer a malta que é capaz de fazer aquilo que qualquer candidato ao título tem de fazer, virar um resultado. Mas a verdade é que tal não sucedeu e o Porto, com apenas 3 unidades a meio campo, perdeu o domínio do jogo remetendo-se a contra ataques, quase sempre mal conduzidos por um Hulk que, tirando os habituais brilharetes contra Sporting e Atlético, tem feito uma temporada miserável!
O lance do golo é excelente para uma semana de conversa de tasca. Começa com um possível fora de jogo de Saviola (não está), passa por um toque de Urreta de calcanhar (em fora de jogo) e acaba com um remate de Cardozo (tremendamente incompetente nos três jogos a sério, contra Braga, Sporting e Porto, resta-lhe a esperança de que os olheiros o tenham visto somente contra a arraia miúda) para alívio de Pereira em cima da linha de golo. Paro aqui porque para mim a conversa do fora de jogo acaba aqui. Há sim senhor, mas há foras de jogo ao longo da partida e se vamos por aí andaríamos todo o jogo a dizer que o erro aos 2 minutos foi causador do golo aos 80! Após o remate de Cardozo há 3 portistas que jogam a bola e nenhum deles o faz com competência! Depois surge o caniche a aliviar a bola de qualquer maneira para o mato, tendo a felicidade de, no mato, estar Saviola (em jogo) sozinho para fazer aquilo que até eu fazia com a avó ao colo: empurrar para dentro da baliza.
Palavra final para Urreta, um jovem com potencial e humilde. Andou 4 meses a treinar sem fazer barulho, o que nos tempos que correm é de louvar. E quando finalmente teve direito a uma oportunidade mostrou aos palermas que bajulam o Di Fiteiro que há vida para além do argentino. Grande entrega ao jogo e, sobretudo, grande bofetada no Burroaldo: sendo fisicamente “fraco”, provou que o terreno de jogo não o impediria de jogar; sendo assim a desculpa do Belluschi ficar no banco por esse motivo cai por terra, e que falta fez o argentino sobretudo na primeira parte! Mas o Burroaldo ainda conseguiu ser mentiroso, dizendo que não foi surpreendido com a titularidade do Urreta (era uma hipótese disse ele…) quando Fucile o desmentiu, “ não pensávamos que era ele quem ia jogar, foi uma surpresa”. À falta de categoria ainda há a juntar falta de honestidade. Realmente está no sítio certo.
PS:
O diagrama seguinte retrata bem o que é o Benfica dos últimos 15 anos. Quer queiram ou não, os lampiões têm de se consciencializar do seguinte: em nenhum momento deste campeonato foram líderes! Esta semana já vos fez bem para acalmarem a euforia e elevarem o nível de stress e ansiedade, muitos inclusivé vendiam o empate ainda antes do jogo começar. Façam como o Urreta, humildade e consciência de que ainda terão de sofrer bastante.
