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sexta-feira, 7 de dezembro de 2007

Porque recordar é viver...


Numa altura em que se fala em Mourinho para seleccionador de Inglaterra, não se sabendo se o propalado interesse de Mourinho no cargo é real ou apenas uma forma de pressionar os "grandes" de Espanha e Itália a despacharem-se a contratá-lo (Rijkaard e Ancelotti estão na corda bamba...), nunca esquecendo as palavras do português, que afirmou aos quatro cantos que nunca iria treinar outra selecção que não a portuguesa e que nunca seguiria a carreira de seleccionador antes dos 55 anos (era uma boa forma de reforma activa dizia ele...), recordo aqui um texto que foi publicado no Mais Futebol, numa era em que Mourinho ainda pouco mais era que uma invenção de Vale e Azevedo! Sim, foi ele e não PC que o lançou. O seu a seu dono.


Figo: a coragem dos grandes

26/2/2001

«Sou, desde há anos, um forte crítico do treino analítico e, como tal, resulta-me difícil separar e especificar as tradicionais componentes de um jogador de futebol. Onde começa e acaba o físico, o técnico, o táctico e o psicológico é uma questão cada vez mais démodée. O treino global envolvendo todas as vertentes referentes a um modelo de jogo ganha cada vez mais adeptos no «mundo metodológico».

No entanto, reconheço que para uma abordagem mais simplista e menos técnica, mais «futeboleira» e menos científica, falar-se nas componentes separadamente facilita a compreensão, a comparação e a análise específica.

Falar-se de Luís Figo é, obviamente, falar-se do jogador por excelência, do homem que consegue, de forma harmoniosa, coexistir com toneladas de potencial e onde as qualidades técnico-tácticas-físicas-psicológicas cooperam com uma empatia quase única no futebol de hoje.
Centremo-nos agora na reabertura da Liga dos Campeões e no jogo de Madrid entre o Real e a Lazio. Quando os espanhóis possuem Hierro, Raúl, Roberto Carlos e companhia, e na hora de decidir com um só remate no último minuto, a directa qualificação para os quartos-de-final, é Figo o escolhido (?) para marcar o decisivo pontapé da marca de grande penalidade. Muitos pensarão no porquê da escolha.

Conheço o jogador de cinco anos de trabalho diário em comum e sei que a sua eficácia nessas acções não é esmagadora; sei da paixão dos goleadores como Raúl em tentar aproveitar essas oportunidades para aumentar as estatísticas que um dia o levarão a ultrapassar o mítico Alfredo di Stéfano como o maior goleador da história do Real Madrid.

Obviamente que sei também que os líderes carismáticos como Fernando Hierro não gostam de perder oportunidades de mostrar ao mundo o seu status e personalidade. Naquelas horas muitos duvidam, alguns tremem, outros escondem-se. Luís Figo agarrou na bola com a convicção e a «arrogância» que fazem dele o melhor dos melhores.

Onde está a diferença? No campo psicológico. Os grandes têm coragem, são decididos, não têm medo de falhar, adoram a responsabilidade, divertem-se com o risco, assustam o stress e a pressão. Decididamente, o campo psicológico faz a diferença...»



Numa epoca onde o destaque vai para Cristiano Ronaldo (sem dúvida alguma titularíssimo da selecção portuguesa) e para Ricardo Quaresma (que, embora muitos não o digam, falhou 20 passes no último clássico, já para não falar do total alheamento ao jogo durante largos períodos do mesmo...), Luis Figo ainda é relembrado, aos 35 anos, pelo seu valor, liderança e resistência, para liderar os tugas no próximo europeu. Estive no jogo frente à Finlândia e não tenho dúvidas quanto a esse assunto. Nem teria JRR Tolkien, que até na sua literatura preconizou o "Regresso do Rei" para a vitória final. Num País de naturalizados às 3 pancadas, onde o seu melhor treinador acena à sua amada Inglaterra... que falta fazem aqueles que honram a camisola sem pensarem noutras cores. Volta Figo e salva-nos de uma selecção liderada por ciganos e brasileiros!