O Autor decidiu criar uma nova secção no blog e eu, como sou ciumento, não quis ficar atrás! Quer dizer, nem atrás nem à frente, não quis ficar e pronto! Segue então a secção Lendas e Mitos Tugas, começando com o menino de ouro dos portistas, outrora lampião mas que se converteu aos euros, perdão, ao portismo.
É por isso que é de louvar a coragem, determinação e entusiamo com que meia dúzia de artistas tentou impingir ao Planeta, especialmente ao Planeta Futebol, a façanha de Vitor Baía, o rei dos titulados, 32 ao que consta! Um mito português, concerteza, que surgiu seguramente numa residência na localidade piscatória da Madalena, que todos os árbitros portugueses conhecem e se espalhou, rapidamente, por toda a comunidade azul esbranquiçada.
Seria mal menor se fosse outra qualquer comunidade, mas a comunidade do bigode é famosa pela postura com que atormenta todo e qualquer ser vivo com as suas teorias da conspiração. Quem não conhece a lenda do Calabote, que passados 50 anos está mais viva que qualquer espectador de um filme do Manoel Oliveira! Sim, são tremendamente persuasivos e, enquanto não conseguem validar as suas teses e palpites, não deixam ninguém dormir sossegado. Confesso que já me tinha habituado a mais essa lengalenga, o Baía é o mais titulado do Planeta Futebol, logo seguido por um qualquer qatari ou kuwaitiano, eles que conseguem alcançar 300 internacionalizações pelos respectivos países, demonstrando que este tipo de rankings são tão divertidos quanto os que colocam o SLCouratos na liderança mundial de afiliados.
Mas se eu sou de fácil conquistar (se não os podes vencer, junta-te a eles, neste caso se não os podes calar, concorda com eles) já os ingleses são mais difíceis de convencer. Não é de estranhar, vindo do povo que teima em conduzir do lado errado da estrada, com o volante do lado errado, com medidas de peso obsoletas já para não mencionar as de comprimento. São casmurros, embora verdade seja dita: o primeiro meio de transporte industrializado foi o comboio, criado em Inglaterra, e que se deslocava precisamente do mesmo modo que os automóveis o fazem actualmente nas ilhas Britânicas. Ou seja, os ingleses foram coerentes, os europeus e restantes povos é que inovaram ao colocar o trânsito automóvel a circular de forma contrária à circulação instituída pelas locomotivas e caminhos de ferro. Assim sendo, não são tão tolos quanto aparentam.
Vem isto a propósito da última final da Taça da Liga inglesa. O Manchester United conquistou a prova e, pela 29ª vez, Ryan Giggs levantou mais um troféu na sua gloriosa carreira, integralmente cumprida ao serviço do glorioso clube de Manchester. Segundo os ventos que sopram de Inglaterra, os ingleses dão ao galês o título de jogador mais titulado do Planeta Futebol. Ora, se 32>29, mesmo em Inglaterra, como chegam a essa conclusão os impertinentes britânicos? Simples. Ao que parece, segundo a interpretação deles, Baía tem no seu currículo títulos que não deveriam ser contabilizados (e não, eles não se estavam a referir ao sistema…). Segundo a forma de ver futebol dos ingleses, um jogador diz-se vencedor de um troféu quando participa, de forma séria, na conquista do mesmo.
Na Premier League inglesa um jogador só é oficialmente campeão quando participa (como titular ou suplente utilizado) num mínimo de dez jogos. Maniche, por exemplo, em 2005/06 participou na campanha do título do Chelsea mas não recebeu a correspondente medalha de campeão porque alinhou apenas em 8 jogos! O que diriam então os britânicos se soubessem da estranha tara e mania que o clube do Porto possui de fazer campeões à pressão na última jornada de cada campeonato vencedor, sendo um deles precisamente Baía, no ano da sua despedida em 2007, campeão por 4 minutos de jogo!
Mas não é somente esse título que é questionado pelos exigentes e criteriosos ingleses. A Taça de Espanha de 97/98 que consta do currículo de Baía é igualmente constestada, uma vez que o guardião português não efectuou um único minuto na prova! E o mesmo se passa na Supertaça Europeia de 98, onde Baía não realiza qualquer um dos dois jogos em questão! E do título espanhol de 1997/98, onde Baía participa somente de 2 jogos num total de 38!
Assim sendo o currículo de Vitor Baía, mesmo contando com uma dúzia de Supertaças de Cortiça Amorim, passa a 28 troféus! É injusto o critério adoptado? Não, de forma alguma, é um critério exemplar, senão qualquer dia ainda surge a lenda do Carlos Secretário bi campeão europeu, provavelmente com menos de 45 minutos em campo no somatário dos títulos do Real Madrid de 1997 e do FCP em 2004! Em pleno Século XXI é tempo de acabar com mitos e lendas sem fundamentos. Já bem basta o do PC ser um tipo sério e honesto, daqui a nada ainda querem colocar o Jesualdo Ferreira na galeria dos treinadores competentes.