Morreu Mário Coluna. Não é notícia em primeira mão mas o Tribunal homenageia aquele que soube elevar-se a ídolo nacional. E se duvidas houvessem, basta procurar uma resposta dada em tempos por um anti lampião primário, Pinto da Costa de seu nome, que questionado sobre a escolha de uma selecção de jogadores para um onze base favorito, escolheu o capitão de Portugal para essa equipa. Parece um gesto banal, mas vindo de quem vem, é significativo.
Coluna foi um excelente jogador, não tenho dúvidas. E foi aquilo que hoje em dia falta em Portugal: um lider, um verdadeiro capitão. Sem ele a seu lado, teria Eusébio triunfado com o sucesso que fez? Com ele a seu lado, não chegaria Cristiano Ronaldo a um patamar ainda mais elevado, sobretudo por Portugal? A minha opinião é que um beneficiou e muito da sua presença e o outro poderia e deveria ter beneficiado muito com a sua presença. Pode Eusébio ter sido um jogador de craveira superior a Coluna, mas no que a liderança diz respeito, as quinas nunca deveriam prescindir da presença deste velho lobo na sua estrutura.
Convém não esquecer um facto relevante: Coluna sempre foi mais moçambicano que português. Algo que não é condenável, bem pelo contrário. Desde que decidiu regressar à sua terra natal, no lugar de ficar por cá como peça de mobiliário de gentes sem escrúpulos como fez Eusébio, fez o que esteve ao seu alcance para colocar Moçambique no mapa do futebol mundial. E se mais não fez deveu-se sobretudo às guerrilhas internas e à fraca memória lusitana, que aproveitou dois dos seus melhores jogadores de todos os tempos mas que prefere investir em viagens pela América Latina no lugar de apostar onde teve sucesso e de onde se mantém um sentimento muito próximo à lusofonia. Outros interesses se levantam desde que o dinheiro passou a mandar no mundo da bola, certamente que todo este despotismo a que o desporto rei está a ser votado em muito contribuiu para o afastamento de Coluna.
Morreu o homem, ficou a lenda. Que os 23 convocados para o mundial se recordem destes 2 ídolos que partiram este ano, e que sejam mais respeitadores na hora de homenageá-los do que foi o povo e a comunicação social por estes dias: Eusébio mereceu honras de estado e todo o folclore adjacente, Coluna teve direito a 10% de atenção quando comparado. Faltou-lhe a bola de ouro para merecer outro tratamento ou faltou-lhe a subserviência à causa lampiã e ao presidente, qual Igor do Frankestein? Muito feio. Coluna soube distinguir entre ter sido um jogador do Benfica e respectivo adepto e ser posteriormente um idolo nacional e um simbolo do seu país independente. E isso implicava não acusar adversários de racismo nem dizer disparates como se não passasse de um pobre coitado. Essa elevaçao custou-lhe honrarias e serventias, mas ganhou a minha admiração.
Cristiano Ronaldo é indiscutivelmente, para mim, o melhor jogador português de todos os tempos mas Mário Coluna será sempre o capitão de todos nós, porque ser líder não é para quem quer, é para quem sabe. E aqui não há assinaturas de facebook para entradas em Panteões que dêem liderança a quem nem força teve para controlar vicios. Descansa em paz Coluna.

Em homenagem ao Coluna nao vou fazer contagem regressiva.
ResponderEliminarSó posso considerar capitão de Portugal alguém que tenha nascido em Portugal!!! Coluna é o capitão do benfica e de moçambique!!
ResponderEliminar